Foto: Natal/Hoje/Monumentos
Ponte de Igapó que fazia o único acesso à ZN
A Zona Norte é a maior região de Natal, em população e área, concentrando aproximadamente, mais de 400.000 habitantes. É composta por sete bairros: Igapó, Redinha, Potengi, Salinas, Nossa Senhora da Apresentação, Lagoa Azul e Pajuçara. Estes bairros por sua vez, se subdividem em 35 conjuntos habitacionais, 56 loteamentos e 18 áreas subnormais. Tudo isso distribuído por 5.768,66 hectares.
Em todos os bairros da região o comércio cresce desordenadamente, ocupando prédios simples sem padrões arquitetônicos. São armarinhos, salões de beleza, farmácias, pet shops, lan houses, lanchonetes e outros se serviços. Mas, após a construção da Ponte Newton Navarro (Forte-Redinha), e pela expectativa gerada com o aeroporto de São Gonçalo do Amarante grandes empresas se estabeleceram no local, além de equipamentos como shoppings, supermercados e bancos, que tem sido responsável pela melhora na qualidade dos produtos e serviços oferecidos, fazendo com que os habitantes da Zona Norte não precisem ir a outros locais para fazer compras.
Foto: Canindé Soares
Ponte Newton Navarro (Forte-Redinha) liga à ZN ao centro de Natal
Com o mercado imobiliário aquecido a ZN, que na última década registrou o dobro do crescimento populacional das quatro regiões, continua sendo o centro das atenções, consequência do desenvolvimento que a Ponte Forte-Redinha trouxe para toda a área e também as cidades metropolitanas, como Ceará-Mirim, Extremoz e São Gonçalo do Amarante, já que antes os acessos eram apenas pela Ponte de Igapó ou pela balsa do Potengi.
Característica - A região norte de Natal tem como característica principal estar situada em um espaço que antes se definia como rural e que, ainda hoje, mistura uma paisagem urbana com traços de uma vida campestre. É uma área baixa em relação ao nível do mar e em grande parte composta por mangues. Geograficamente isolada, possuía antigamente apenas uma via de acesso: a ponte de Igapó, construída há mais de 40 anos.
Infra-estrutura - Apesar do crescimento populacional, a infra-estrutura da região norte ainda é precária (saneamento básico, transporte, saúde, segurança, serviços, educação, entre outros.
Surgimento da Zona Norte
Foto: Rodrigo Sena /Tribuna do Norte
Comércio cresce na ZN desordenadamente, ocupando prédios simples sem padrões arquitetônicos
A Zona Norte de Natal está localizada à margem esquerda (lado norte) do rio Potengi. Até o ano de 1916, seu acesso dava-se através do município de Macaíba ou realizando a travessia do rio Potengi.
Macaíba ou rio - Por Macaíba, exigia mais tempo devido a distância e difíceis condições da estrada carroçável; Pelo rio Potengi, mais rápido e necessitava de barcos para a travessia.
Ponte de Ferro - A construção da “Ponte de Ferro” sobre o Potengi, ou como ficaria mais conhecida a “Ponte de Igapó”, foi um marco na ocupação da parte norte de Natal.
Com a construção da Ponte de Ferro, a estrada aberta entre Natal e Ceará Mirim entrou em desuso, pois o trem respondia pelo transporte de cargas e passageiros enfraquecendo o transporte fluvial no Potengi, ficando este praticamente restrito aos moradores de Igapó e Redinha.
Abertura da estrada da Redinha - No início de 1950, iniciou-se a abertura da estrada que facilitaria o acesso entre a ponte de Igapó e Redinha. A partir de 1952 a estrada começou a cortar os sítios e granjas, abrindo um caminho de barro, só sendo pavimentada em 1975 com 7,5 km de extensão, ficando conhecida como “estrada da Redinha”, sendo hoje a Avenida Dr. João Medeiros Filho, tornando-se o principal eixo de ligação entre os bairros da Zona Norte. É nela que o processo de “redefinição” de residencial para comercial ocorre de forma mais intensa.
Ponte de concreto - A segunda ponte sobre o Potengi foi construída em 1970, na administração do governador Walfredo Gurgel. A ponte de concreto foi a constatação de que o serviço de trens intermunicipal já não era suficiente como acesso às várias cidades do interior do Estado, sendo necessário investir no transporte rodoviário. A ponte recebeu o nome de “Presidente Costa e Silva”, e mais tarde passou a ser “Ponte Professor Ulisses de Góis”, também conhecida como Ponte de Igapó.
Chegada do Distrito Industrial / Mercado Imobiliário - A construção da ponte e melhoria na rodovia 304 viabilizou a implementação de um Distrito Industrial na ZN a partir de 1975, surgindo as primeiras indústrias na região, despertando então, o interesse do mercado imobiliário.
Duplicação da ponte de concreto - Em 1990, com a duplicação da ponte de concreto, no governo de Geraldo Melo, a capacidade de fluxo viário melhorou, ajudando ainda mais no povoamento da região norte..
O Bairro - Unidade territorial com limites e formas geométricas legalmente definidas, a partir de 1994. É uma comunidade dentro de um município, a forma mais simples de organização populacional. O bairro de Nossa Senhora da Apresentação é o segundo maior em área na ZN.
Os primeiros loteamentos - Grande parte da Zona Norte de Natal até o ano de 1953 era área rural do município de Macaíba, onde só havia algumas casas de farinha, pequenas plantações de feijão e milho e criação de gado para leite. O valor de tais terras era muito baixo, pois a dificuldade de comunicação viária com Igapó e a total inexistência de vias carroçáveis, inviabilizavam qualquer tentativa de comercialização de terras para fins de moradia. A partir de 1952 a “estrada da Redinha” começou a ser aberta, ligando Igapó e Redinha, o que possibilitou a expansão urbana de Natal para o Norte e atraiu interessados em adquirir terras a um preço muito baixo e revendê-las em forma de lotes.
O primeiro desses loteamentos foi o Parque Floresta, localizado à margem direita da linha férrea, registrado em 2 de outubro de 1957.
Loteamento clandestino - parcelamento do solo não aprovado pela Prefeitura nem registrado em cartório.
Loteamentos irregulares –Não possuem registro em Cartório ou Alvará expedido pelo órgão público competente. Em Natal, segundo informações contidas no Plano de Ação 1993/96 existem 118 loteamentos irregulares, sendo 35,6% concentrados na região Norte.
Ao mesmo tempo em que o Estado, através de sua política habitacional, investia vultuosas somas de dinheiro na construção de habitações populares na Zona Norte, uma silenciosa marcha dos “excluídos” do Sistema Financeiro de Habitação compravam os lotes irregulares, ou simplesmente invadia-os, adensando para além do controle e planejamento municipal. Enquanto os conjuntos habitacionais, eram “vendidos” como a solução habitacional para a população de baixa renda, surgia ao seu lado um outro “problema”: os loteamentos irregulares.
Morfologicamente conjuntos e loteamentos se distinguem
Ao existir, em um mesmo período cronológico, a produção de conjuntos (fomentado pelo Estado) e loteamentos (promovido pelo “mercado” de terras) tem-se a demarcação de espaços diferentes e desiguais.
Conjuntos habitacionais
O surgimento dos conjuntos habitacionais na ZN, no final da década de 1960, foi um grande impulso ao seu crescimento. Nessa época, foi desativada a antiga ponte da estrada de ferro, ainda hoje erguida, e feita a ponte de cimento armado. Ainda nesse período, foram loteados os terrenos da região Norte. O conjunto Amarante foi o primeiro.
A Zona Norte de Natal surgiu como uma área planejada de conjuntos habitacionais e loteamentos formais e informais, com a particularidade da presença da via férrea cortando a região e favorecendo a acessibilidade de seus moradores. São exemplos o Potengi (1976), Soledade I (1978), Panorama I e II (1978), Panatis I e III (1979), Panatis II (1981), Santa Catarina e Soledade II (1982) e Santarém (1983).
Foi na administração do governador Tarcisio Maia (1975-1979) e do presidente da COHAB Ezequias Pegado que ocorreu a decisão técnica de construir na Zona Norte da cidade a maioria dos conjuntos habitacionais destinados à faixa de renda de 3 a 5 Salários Mínimos. Esta decisão apresentou um primeiro entrave, relacionado à propriedade do solo na região norte que já se encontrava mais fragmentada, inclusive com vários loteamentos à venda, o que aumentava o custo das grandes glebas necessárias à construção dos conjuntos.
A região norte de Natal só passou a existir devido à construção dos conjuntos habitacionais.
O caso dos conflitos de limites e registro imobiliário, aliado a pouca fiscalização da prefeitura na década de 1980, marcou estes três momentos moldados pela irregularidade referente não apenas ao título de propriedade do lote, mas também à moradia. A inexistência de uma legislação específica para loteamentos, além de uma outra para os conjuntos habitacionais (tratados como loteamentos, embora com características diferenciadas) também influíram neste quadro de ilegalidade, característico da Zona Norte.
A emancipação da Zona Norte
A Zona Norte de Natal tem despertado, na última década, um interesse cada vez maior em alguns segmentos da “sociedade” natalense, como a imprensa, comerciantes, políticos locais, órgãos de planejamento, entre outros. Morar na Zona Norte de Natal ainda é motivo de satisfação para a maioria dos moradores locais, mas, na opinião de alguns lideres comunitários e políticos locais permanece a ideia de uma divisão política da região, apoiada pelo sentimento de discriminação da região pelo restante.
Fonte: Jornal Clarim Natal
1 comentários:
eu adoro adamires
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